O erro fundamental do meme é pressupor que Deus e o diabo são opostos simétricos, como se fossem dois lados iguais de uma mesma moeda (um conceito mais próximo do dualismo maniqueísta). Não existe tal simetria. Deus é o Criador, a fonte de toda a vida, a própria existência e o Sumo Bem. O diabo é uma criatura, um anjo caído, limitado e subordinado à realidade criada. Portanto, a descrença em Deus é a rejeição da própria Fonte da Vida, o que resulta logicamente na separação dessa vida (o que chamamos de inferno/morte espiritual). Por outro lado, a descrença no diabo é apenas a ignorância sobre a existência de uma criatura maligna. Rejeitar a existência de um vírus não cura o paciente; da mesma forma, não acreditar no "inimigo" não conecta o ser humano automaticamente ao "Salvador". O neo ateu através do meme falha ao tratar a salvação como um sistema de "pontuação negativa". A lógica implícita é: "Se perder pontos com Deus é ruim, ignorar o riva...
Para o católico médio, a Solenidade de Corpus Christi evoca uma tradição imemorial, uma expressão de fé que remonta diretamente aos apóstolos e à própria instituição da Eucaristia por Jesus Cristo. No entanto, quando despimos a festividade de sua roupagem mística e analisamos suas engrenagens sob a luz da história eclesiástica, o cenário que se revela é radicalmente diferente. Corpus Christi não nasceu da tradição apostólica; nasceu de uma crise de aceitação dogmática no século XIII, alimentada por visões monásticas, lendas locais e uma deliberada absorção de rituais do paganismo clássico (Brock, Rome: Pagan and Papal, 1883, pp. 225-227; Collette, As Inovações do Romanismo, 2001, pp. 263-264; Mosheim, História Eclesiástica, séc. XIII, parte II, cap. IV, §II, apud Collette, p. 263; Neander, História da Igreja, t. VII, p. 474, apud Collette, p. 263). A Gênese de uma Festa Tardia: Entre Fábulas e Conveniências Dogmáticas Para compreender o surgimento de Corpus Christi, é necessário recuar...