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Refutando bobices dos ateístas 34

𝗥𝗲𝗳𝘂𝘁𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗯𝗼𝗯𝗶𝗰𝗲𝘀 𝗱𝗼𝘀 𝗮𝘁𝗲𝗶́𝘀𝘁𝗮𝘀 𝟯𝟰





A narrativa de Gênesis 19:30-38 relata um episódio desconcertante envolvendo Ló e suas duas filhas após a destruição de Sodoma e Gomorra. Este evento levanta questões éticas e morais profundas, além de consequências históricas e culturais significativas.


“𝘓𝘰́ 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘶 𝘥𝘦 𝘡𝘰𝘢𝘳 𝘤𝘰𝘮 𝘴𝘶𝘢𝘴 𝘥𝘶𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘩𝘢𝘴 𝘦 𝘱𝘢𝘴𝘴𝘰𝘶 𝘢 𝘷𝘪𝘷𝘦𝘳 𝘯𝘢𝘴 𝘮𝘰𝘯𝘵𝘢𝘯𝘩𝘢𝘴, 𝘱𝘰𝘳𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘪𝘯𝘩𝘢 𝘮𝘦𝘥𝘰 𝘥𝘦 𝘱𝘦𝘳𝘮𝘢𝘯𝘦𝘤𝘦𝘳 𝘦𝘮 𝘡𝘰𝘢𝘳. 𝘌𝘭𝘦 𝘦 𝘴𝘶𝘢𝘴 𝘥𝘶𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘩𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘤𝘢𝘳𝘢𝘮 𝘮𝘰𝘳𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘯𝘶𝘮𝘢 𝘤𝘢𝘷𝘦𝘳𝘯𝘢.

𝘜𝘮 𝘥𝘪𝘢, 𝘢 𝘧𝘪𝘭𝘩𝘢 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘷𝘦𝘭𝘩𝘢 𝘥𝘪𝘴𝘴𝘦 𝘢̀ 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘫𝘰𝘷𝘦𝘮: "𝘕𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘱𝘢𝘪 𝘫𝘢́ 𝘦𝘴𝘵𝘢́ 𝘷𝘦𝘭𝘩𝘰, 𝘦 𝘯𝘢̃𝘰 𝘩𝘢́ 𝘩𝘰𝘮𝘦𝘯𝘴 𝘯𝘢𝘴 𝘳𝘦𝘥𝘰𝘯𝘥𝘦𝘻𝘢𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘯𝘰𝘴 𝘱𝘰𝘴𝘴𝘶𝘢𝘮, 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘯𝘥𝘰 𝘰 𝘤𝘰𝘴𝘵𝘶𝘮𝘦 𝘥𝘦 𝘵𝘰𝘥𝘢 𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢.

𝘝𝘢𝘮𝘰𝘴 𝘥𝘢𝘳 𝘷𝘪𝘯𝘩𝘰 𝘢 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘱𝘢𝘪 𝘦 𝘦𝘯𝘵𝘢̃𝘰 𝘯𝘰𝘴 𝘥𝘦𝘪𝘵𝘢𝘳𝘦𝘮𝘰𝘴 𝘤𝘰𝘮 𝘦𝘭𝘦 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘳𝘷𝘢𝘳 𝘢 𝘭𝘪𝘯𝘩𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘥𝘦 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘱𝘢𝘪".

𝘕𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘢 𝘯𝘰𝘪𝘵𝘦 𝘥𝘦𝘳𝘢𝘮 𝘷𝘪𝘯𝘩𝘰 𝘢𝘰 𝘱𝘢𝘪, 𝘦 𝘢 𝘧𝘪𝘭𝘩𝘢 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘷𝘦𝘭𝘩𝘢 𝘦𝘯𝘵𝘳𝘰𝘶 𝘦 𝘴𝘦 𝘥𝘦𝘪𝘵𝘰𝘶 𝘤𝘰𝘮 𝘦𝘭𝘦. 𝘌 𝘦𝘭𝘦 𝘯𝘢̃𝘰 𝘱𝘦𝘳𝘤𝘦𝘣𝘦𝘶 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘦𝘭𝘢 𝘴𝘦 𝘥𝘦𝘪𝘵𝘰𝘶 𝘯𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘴𝘦 𝘭𝘦𝘷𝘢𝘯𝘵𝘰𝘶.

𝘕𝘰 𝘥𝘪𝘢 𝘴𝘦𝘨𝘶𝘪𝘯𝘵𝘦 𝘢 𝘧𝘪𝘭𝘩𝘢 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘷𝘦𝘭𝘩𝘢 𝘥𝘪𝘴𝘴𝘦 𝘢̀ 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘯𝘰𝘷𝘢: "𝘖𝘯𝘵𝘦𝘮 𝘢̀ 𝘯𝘰𝘪𝘵𝘦 𝘥𝘦𝘪𝘵𝘦𝘪-𝘮𝘦 𝘤𝘰𝘮 𝘮𝘦𝘶 𝘱𝘢𝘪. 𝘝𝘢𝘮𝘰𝘴 𝘥𝘢𝘳-𝘭𝘩𝘦 𝘷𝘪𝘯𝘩𝘰 𝘵𝘢𝘮𝘣𝘦́𝘮 𝘦𝘴𝘵𝘢 𝘯𝘰𝘪𝘵𝘦, 𝘦 𝘷𝘰𝘤𝘦̂ 𝘴𝘦 𝘥𝘦𝘪𝘵𝘢𝘳𝘢́ 𝘤𝘰𝘮 𝘦𝘭𝘦, 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘲𝘶𝘦 𝘱𝘳𝘦𝘴𝘦𝘳𝘷𝘦𝘮𝘰𝘴 𝘢 𝘭𝘪𝘯𝘩𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘥𝘦 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘰 𝘱𝘢𝘪".

𝘌𝘯𝘵𝘢̃𝘰, 𝘰𝘶𝘵𝘳𝘢 𝘷𝘦𝘻 𝘥𝘦𝘳𝘢𝘮 𝘷𝘪𝘯𝘩𝘰 𝘢𝘰 𝘱𝘢𝘪 𝘯𝘢𝘲𝘶𝘦𝘭𝘢 𝘯𝘰𝘪𝘵𝘦, 𝘦 𝘢 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘯𝘰𝘷𝘢 𝘧𝘰𝘪 𝘦 𝘴𝘦 𝘥𝘦𝘪𝘵𝘰𝘶 𝘤𝘰𝘮 𝘦𝘭𝘦. 𝘌 𝘦𝘭𝘦 𝘯𝘢̃𝘰 𝘱𝘦𝘳𝘤𝘦𝘣𝘦𝘶 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘦𝘭𝘢 𝘴𝘦 𝘥𝘦𝘪𝘵𝘰𝘶 𝘯𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘴𝘦 𝘭𝘦𝘷𝘢𝘯𝘵𝘰𝘶.

𝘈𝘴𝘴𝘪𝘮, 𝘢𝘴 𝘥𝘶𝘢𝘴 𝘧𝘪𝘭𝘩𝘢𝘴 𝘥𝘦 𝘓𝘰́ 𝘦𝘯𝘨𝘳𝘢𝘷𝘪𝘥𝘢𝘳𝘢𝘮 𝘥𝘰 𝘱𝘳𝘰́𝘱𝘳𝘪𝘰 𝘱𝘢𝘪.

𝘈 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘷𝘦𝘭𝘩𝘢 𝘵𝘦𝘷𝘦 𝘶𝘮 𝘧𝘪𝘭𝘩𝘰, 𝘦 𝘥𝘦𝘶-𝘭𝘩𝘦 𝘰 𝘯𝘰𝘮𝘦 𝘥𝘦 𝘔𝘰𝘢𝘣𝘦; 𝘦𝘴𝘵𝘦 𝘦́ 𝘰 𝘱𝘢𝘪 𝘥𝘰𝘴 𝘮𝘰𝘢𝘣𝘪𝘵𝘢𝘴 𝘥𝘦 𝘩𝘰𝘫𝘦.

𝘈 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘯𝘰𝘷𝘢 𝘵𝘢𝘮𝘣𝘦́𝘮 𝘵𝘦𝘷𝘦 𝘶𝘮 𝘧𝘪𝘭𝘩𝘰, 𝘦 𝘥𝘦𝘶-𝘭𝘩𝘦 𝘰 𝘯𝘰𝘮𝘦 𝘥𝘦 𝘉𝘦𝘯-𝘈𝘮𝘪; 𝘦𝘴𝘵𝘦 𝘦́ 𝘰 𝘱𝘢𝘪 𝘥𝘰𝘴 𝘢𝘮𝘰𝘯𝘪𝘵𝘢𝘴 𝘥𝘦 𝘩𝘰𝘫𝘦.” 


𝘾𝙤𝙣𝙩𝙚𝙭𝙩𝙤. Após a destruição de Sodoma e Gomorra, Ló e suas duas filhas se refugiam em uma caverna nas montanhas, temendo permanecer em Zoar (Gênesis 19:30). Nesse contexto de isolamento e medo, as filhas de Ló, temendo não encontrar maridos e garantir a continuidade da linhagem familiar, planejam embriagar seu pai para terem relações sexuais com ele (Gênesis 19:31-32). Consequentemente, ambas ficam grávidas e dão à luz Moabe e Ben-Ami, ancestrais dos moabitas e amonitas, respectivamente (Gênesis 19:36-38).


     A atitude das filhas de Ló não é moralmente correta por várias razões. A ação das filhas de Ló viola princípios fundamentais de moralidade e ética. Elas utilizam a embriaguez de seu pai para realizar atos sexuais incestuosos, o que é moralmente condenável. A manipulação do estado de consciência de Ló torna o ato ainda mais repreensível.

O ato incestuoso não só fere os princípios éticos, mas também traz consequências indiretas. A narrativa estabelece a origem dos moabitas e amonitas, que mais tarde se tornariam inimigos históricos de Israel. Assim, o pecado inicial perpetua um ciclo de inimizade e conflito entre os povos.

As ações das filhas de Ló refletem uma prática cultural da época de preservar a linhagem familiar a qualquer custo. No entanto, a moralidade do ato é questionável, e a Escritura registra a história para mostrar as consequências negativas de tais decisões.


𝘼𝙣𝙖́𝙡𝙞𝙨𝙚 𝙂𝙧𝙖𝙢𝙖𝙩𝙞𝙘𝙖𝙡. A análise gramatical dos textos em hebraico e grego oferece uma compreensão mais profunda das intenções e ações das filhas de Ló. Por exemplo, a expressão hebraica "וְנִשְׁכְּבָה עִמּוֹ" (vamos deitar-nos com ele) utiliza a partícula "וְ" (e) como uma conjunção que liga as ações, enquanto "שׁכב" (deitar-se) no qal imperfeito, 1ª pessoa do plural, forma cohortativa¹, indica a determinação e o desejo das filhas de executar o plano. O uso de eufemismos para relações sexuais reflete a natureza manipuladora do plano das filhas². No grego, a palavra "ἐπότισαν" (deram a beber) enfatiza o ato de embriaguez, que é um meio de controlar Ló³⁴.


𝘾𝙤𝙣𝙘𝙡𝙪𝙨𝙖̃𝙤. A atitude das filhas de Ló em Gênesis 19:30-38 é moralmente errada. A manipulação de seu pai para fins incestuosos é uma violação grave dos princípios éticos e traz consequências indiretas negativas, como a origem de inimigos históricos de Israel. A narrativa serve como um aviso sobre as consequências do pecado e as decisões tomadas em desespero. Além disso, a análise gramatical dos textos hebraicos e gregos revela a natureza manipuladora das ações das filhas, reforçando a condenação moral do ato. 

Claramente a imagem é mais um escárnio ao texto escriturístico, mas ela não retrata o que deve ser seguido, apenas relata fatos que podem ser tanto ruins, quanto positivos.


¹ A forma cohortativa é uma característica específica da gramática hebraica, usada principalmente para expressar um desejo, intenção ou uma exortação, geralmente na primeira pessoa do plural ou singular. No hebraico, a forma cohortativa é frequentemente marcada por sufixos específicos e pelo uso de partículas. No caso de "וְנִשְׁכְּבָה", o sufixo "-ה" e a partícula "וְ" (e) ajudam a identificar a intenção da ação.


² HOLLADAY, William L. A Concise Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament. Leiden: Brill, 1971, p. 638.


³ FRIBERG, Barbara; FRIBERG, Timothy; MILLER, Neva F. Analytical Lexicon of the Greek New Testament. Grand Rapids: Baker Academic, 2000.


⁴ GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W.; BAUER, Walter. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature. 2. ed. Chicago: University of Chicago Press, 1979.


𝗡𝗶𝗰𝗼𝗹𝗮𝘀 𝗕𝗿𝗲𝗻𝗼


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