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Resposta ao Propagador da Real e seu Pensamento Ariano de Deus

 Resposta ao Propagador da Real e seu Pensamento Ariano de Deus


   A pessoa por trás da página "O propagador da Real", comenta sobre uma questão central, apoiando-se em passagens da Oração Sacerdotal de Yeshua (João 17:1-3 e 17:25) para argumentar que Yeshua não é Deus, mas sim um ser distinto e subordinado, o Filho "enviado". Sua premissa é que, ao se dirigir ao Pai como o "único Deus verdadeiro", Yeshua estaria negando sua própria divindade e refutando a ideia de uma Trindade. Abaixo vou deixar exatamente o que ele escreve: 


   Yeshua não é Deus, é o seu Unigênito, Yeshua sempre deixou claro que Não era Deus e sim o seu Filho enviado *. [...]

   * - "Pai justo, o mundo não Te tem conhecido; Eu, porém, Te conheci, assim como estes entenderam que Tu me enviaste." (Yehokhanan / João 17 : 25)


" Yeshua  falou assim e, levantando seus olhos ao céu, e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a Ti;

Assim como lhe Deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste.

E a vida eterna é esta: que te conheçam, A TI SÓ, por ÚNICO DEUS VERDADEIRO,  e a Yeshua HaMashiach (Jesus, O Cristo), a quem enviaste.

(Yehokhanan / João 17 : 1 - 3)


   Essa interpretação, embora aparentemente direta, negligencia um princípio fundamental que meu livro "Jesus: O Deus Encarnado" e as Escrituras estabelecem como central para a compreensão da pessoa de Cristo: a realidade da Encarnação e a consequente subordinação voluntária e temporária de Jesus em sua forma humana.

   Vamos analisar os textos!


1. João 17:1-3: "Que te conheçam, A TI SÓ, por ÚNICO DEUS VERDADEIRO, e a Yeshua HaMashiach, a quem enviaste."


   Este é o cerne do argumento unitarista. No entanto, o erro de interpretação reside em desconsiderar o contexto imediato da oração e a natureza da encarnação de Yeshua.


   Contexto da Oração Sacerdotal: Yeshua está prestes a enfrentar a cruz. Ele está orando como o Homem-Deus, o Messias encarnado, que assumiu a forma de servo para cumprir a vontade do Pai. É crucial entender que, ao se encarnar, Jesus voluntariamente assumiu uma posição de subordinação ao Pai. Ele se esvaziou de Sua glória externa (Filipenses 2:6-8) e viveu como um homem, totalmente dependente do Pai.

   Como eu explico na Conclusão do meu livro, "Jesus era subordinado ao Pai porque estava em carne". Sua humanidade não era uma "fachada", mas uma realidade. Quando Ele se refere ao Pai como o "Único Deus Verdadeiro", Ele o faz a partir de sua perspectiva encarnada, distinguindo Sua Pessoa humana do Pai, que permanece em Sua plenitude divina não-encarnada. Ele está se referindo à fonte primária da divindade e da autoridade.

   A oração de Yeshua não nega Sua divindade, mas sim ressalta Seu papel único como o mediador e revelador desse Deus. Ninguém pode conhecer o Pai, o "Único Deus Verdadeiro", exceto por meio do Filho. Yeshua não está dizendo que Ele não é Deus, mas que o Pai é o único Deus que O enviou, e que a vida eterna está em conhecer a ambos: o Pai e Aquele a quem Ele enviou. Não é uma negação de Sua divindade, mas uma afirmação de Sua missão messiânica e de Sua relação íntima e filial com o Pai. É como um embaixador que diz: "Conhecer o presidente do meu país é essencial", sem negar que ele mesmo é um representante oficial e parte integrante do governo. Yeshua é o "Deus manifestado na carne" (1 Timóteo 3:16), o reflexo exato da glória do Pai (Hebreus 1:3).


2. João 17:25: "Pai justo, o mundo não Te tem conhecido; Eu, porém, Te conheci, assim como estes entenderam que Tu me enviaste."


   Aqui, o comentarista foca na frase "Tu me enviaste" como prova da não-divindade de Yeshua. Novamente, essa é uma visão limitada pela perspectiva da Encarnação.


   O ato de "enviar" não implica inferioridade essencial, mas sim uma missão e um papel dentro do plano divino. O próprio Pai "enviou" o Filho para o mundo (João 3:16). Isso não significa que o Filho seja de uma natureza diferente ou inferior ao Pai. Significa que o Filho aceitou uma missão específica que exigia que Ele assumisse a forma humana e operasse dentro de certas limitações temporais e espaciais.

   Em "Jesus: O Deus Encarnado", eu discuto como a encarnação foi um "abaixamento" voluntário. "Ele era e é forma limitada de ensinar gente limitada da época como se portar perante ao Deus Único". A frase "Tu me enviaste" de Yeshua é a perfeita descrição dessa missão: Ele foi enviado como o Messias, o Redentor, o revelador do Pai, para viver uma vida humana perfeita, morrer e ressuscitar. Essa missão exigia que Ele operasse como o Filho enviado, e não como o Pai.


A Harmonia com a Divindade de Yeshua: Indo Além da Oração Sacerdotal


   Os versículos de João 17, quando corretamente interpretados, não contradizem a divindade de Yeshua, mas a complementam ao revelar a dinâmica da relação entre Pai e Filho dentro do plano da salvação.

   Meu livro demonstra exaustivamente que a divindade de Jesus não se baseia em um ou dois versículos isolados, mas é um tema recorrente e inegável em toda a Escritura:


João 1:1: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." (Parte 5, meu livro)


João 10:30: "Eu e o Pai somos um." (Parte 5, meu livro)


João 8:58: "Antes que Abraão existisse, Eu Sou." (Parte 5, meu livro) – uma clara alusão ao nome de YHWH em Êxodo 3:14.


Aplicação de Textos YHWH a Yeshua: Meu Apêndice detalha como os apóstolos atribuem a Yeshua atributos e profecias do Antigo Testamento que eram exclusiva de YHWH (Isaías 8:13-14 e 1 Pedro 2:7-8; Zacarias 12:10 e João 19:33-37; Isaías 40:3 e Mateus 3:3), solidificando a co-igualdade divina.


  A Oração Sacerdotal, portanto, não é uma negação da divindade de Yeshua, mas sim uma profunda expressão de Sua relação com o Pai no contexto de Sua missão encarnada. Ela nos revela a humildade do Deus que se fez homem para nos reconciliar com o Pai, aquele a quem Ele veio revelar. Reconhecer Yeshua como o Deus Encarnado, o YHWH que desceu em carne, é o verdadeiro caminho para a vida eterna, pois é Nele que conhecemos tanto o Pai quanto o Filho, o único Deus verdadeiro manifestado em toda a Sua glória e amor.


Nicolas Breno


 

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