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A Autocontradição do Relativismo: Desvendando a Falácia da "Não Existência da Verdade Absoluta"

 A Autocontradição do Relativismo: Desvendando a Falácia da "Não Existência da Verdade Absoluta"



Com base no livro "Por que bons argumentos não funcionam?" de James W. Sire, a falácia das Premissas Contraditórias expõe uma inconsistência fundamental em muitas visões relativistas, especialmente na afirmação de que "não há verdade absoluta". Um argumento construído sobre premissas que se anulam mutuamente não pode se sustentar, pois sua própria fundação é autodestrutiva.

A lógica por trás dessa falácia é clara: se um princípio enfraquece a si mesmo, ele é inerentemente falho. Sire utiliza o exemplo clássico: "Se Deus pode todas as coisas, ele pode criar uma pedra que seja tão pesada que ele mesmo não consiga carregá-la?". A contradição é evidente: se existe uma força irresistível, não pode haver um objeto irremovível. A coexistência de ambas as premissas é impossível, invalidando qualquer argumento que parta delas.

Este mesmo erro lógico é aplicado diretamente à visão relativista popular que declara: "Todas as alegações de verdade são relativas. Não há verdade absoluta". Ao analisar essa afirmação, surge uma pergunta inevitável: a própria frase é uma verdade absoluta?

Se a afirmação "não há verdade absoluta" for considerada uma verdade absoluta, ela contradiz a si mesma e, portanto, é falsa.
Se a afirmação for apenas uma verdade relativa, ela não tem força para negar a existência de outras verdades que possam ser absolutas.

Em ambos os cenários, a posição relativista se mostra logicamente incoerente. Trata-se de uma afirmação "incoerente em sua autorreferência", um erro que, segundo o autor, está presente no pensamento de teóricos pós-modernos como Nietzsche, que descreveu a verdade como "um exército móvel de metáforas", uma afirmação que, para ter substância, precisa ser tratada como uma verdade literal, algo que ela mesma nega.
Então, por que tantas pessoas adotam essa visão contraditória? Sire argumenta que o relativismo, para muitos, alcançou o status de um "compromisso de cosmovisão". Ele não é mantido como uma conclusão lógica, mas como uma pressuposição fundamental, uma "orientação fundamental do coração". Nesse nível, a ideia não é submetida a uma análise lógica rigorosa, pois parece simplesmente óbvia.

O autor aponta que o fato social do pluralismo, a existência de muitas culturas e crenças diferentes, levou ao princípio teórico do relativismo. As pessoas observam a diversidade de opiniões e concluem erroneamente que nenhuma visão pode ser objetivamente verdadeira. Isso se manifesta em frases comuns como: "Quem sou eu para julgar?" ou "Se está bom para eles, tudo bem".

Portanto, ao confrontar a relativização da verdade, o problema não é apenas a falta de um argumento lógico por parte do relativista, mas a presença de uma cosmovisão profundamente arraigada que o impede de reconhecer a contradição em sua própria premissa. A afirmação de que "não há verdade absoluta" não é uma conclusão racional, mas uma barreira que impede o diálogo sobre a verdade. Para o autor, o desafio não é apenas apontar a falha lógica, mas entender e abordar a orientação do coração que torna essa falha invisível para quem a comete.

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