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Refutando bobices dos ateístas 42

 Refutando bobices dos ateístas 42



   O livro de Juízes descreve o período mais caótico da história de Israel, após a morte de Josué. A frase chave para entender o livro é: "Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto" (Juízes 17:6 e 21:25). O capítulo 19 começa com a história de um levita e sua concubina, que viajavam pela tribo de Benjamim. Chegando à cidade de Gibeá, são acolhidos por um homem idoso, mas uma turba de homens perversos cerca a casa e exige que o anfitrião entregue o levita para ser abusado sexualmente.


   O verso em questão, Juízes 19:25, narra o ápice da perversidade:


   "Mas aqueles homens não quiseram ouvi-lo. Então o homem pegou a sua concubina e a empurrou para fora da porta; e eles a abusaram e abusaram dela a noite inteira, e só a largaram de manhã."


   A passagem não é uma prescrição (algo que Deus manda fazer), mas uma descrição (algo terrível que aconteceu). O texto claramente registra um ato de extrema covardia e maldade, perpetrado não apenas pela turba, mas pelo levita.

   O texto original hebraico usa o verbo que pode ser traduzido como "empurrou" ou "lançou fora." A ação do levita é retratada como violenta e egoísta. Ele se salva à custa da vida e dignidade da mulher, violando toda a lei de Deus sobre proteção e honra.


Contexto Cultural e Denúncia do Mal


   O "contra-ataque" que eu faço não é defender o levita, mas mostrar que a Bíblia é seu próprio juiz e acusador. O texto bíblico denuncia a imoralidade e a ilegalidade desse ato.

   A linguagem usada pela turba em Gibeá ("Traga para fora o homem que entrou em sua casa, para que tenhamos relações com ele") ecoa diretamente o crime de Sodoma (Gênesis 19:5). Ao fazer essa analogia, o autor bíblico compara a conduta de Israel à depravação máxima, condenando implicitamente o ato como abominação. Este evento é o catalisador para uma guerra civil entre as tribos de Israel (Juízes 20-21). O resto do livro deixa claro que este ato de violência inominável é a prova da total falência moral da nação.


   A Escritura não é um livro de contos de fadas ou um manual onde todas as ações dos personagens são aprovadas por Deus. É uma narrativa histórica honesta que registra a realidade cruel da condição humana sem Deus (onde "cada um fazia o que achava mais reto"). O texto não contém uma única palavra de aprovação, perdão ou justificação para a ação do levita. O silêncio do narrador é ensurdecedor: ele apenas registra a selvageria, deixando o leitor chocado e pronto para entender a necessidade de uma autoridade moral (um "Rei" justo). A concubina, cujo nome sequer é mencionado, é a vítima da maldade de todos os homens ao seu redor (do levita covarde e da turba perversa). A Escritura registra o crime para expor o mal em sua forma mais crua.


Conclusão


   A crítica apresentada na imagem ("Eu não li isso!") falha ao confundir descrição com prescrição. A Escritura inclui o horror de Juízes 19:25 para expor a queda humana mostrando o nível de depravação ao qual a humanidade chega quando se afasta da lei e da moralidade de Deus. E para chamar ao Juízo, para justificar o juízo severo que se abate sobre a tribo de Benjamim em seguida, e a necessidade de uma redenção radical.


   Em vez de desacreditar a Escritura, esse verso reforça sua integridade histórica. O autor não suavizou a história; ele a usou como um grito de alarme sobre a escuridão moral que havia tomado Israel. O Deus da Escritura é o juiz dessa violência, e não o seu autor ou cúmplice. Ignorar o contexto, a cultura, e se abster de raciocínio, produz imagens como esta!


Nicolas Breno




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