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O Mito do "Não-Julgamento"

 O Mito do "Não-Julgamento"




   Um dos versículos mais mal interpretados (e frequentemente tirados de contexto) na era moderna é o famoso "Não julgueis" (Mateus 7:1). Ele se tornou uma espécie de escudo retórico utilizado para silenciar qualquer correção moral ou defesa da verdade. Em comentários de diversos posts, vemos essa confusão em ação. Na imagem que ilustra esse post, a usuária afirma "Quem somos nós para julgar?", mas na mesma frase diz que estamos aqui para "avisar o que é certo ou não". Essa contradição expõe a fragilidade da narrativa moderna: é impossível avisar o que é certo sem antes ter julgado o que é errado.


   A narrativa do "quem sou eu para julgar" falha primeiramente na lógica. Para "avisar com amor" (como a autora do comentário sugere), é necessário primeiro exercer um julgamento de valor. Se você vê alguém prestes a beber veneno e avisa "não beba, isso faz mal", você fez um julgamento sobre o líquido (é perigoso) e sobre a ação (beber é um erro). Dizer que não devemos julgar atos moralmente questionáveis não é humildade; é uma suspensão da racionalidade. O cristão é chamado a ser "luz" (Efésios 5:8), e a luz, por definição, expõe aquilo que está escondido nas trevas. Não se pode ser luz sem revelar a sujeira.

   Quando o Evangelho condena o julgamento, se refere ao Juízo Temerário. O juízo temerário acontece quando: 


Julgamos a intenção do coração: Só Deus conhece o íntimo. Podemos julgar atos visíveis, mas não presumir motivações ocultas.

Julgamos com hipocrisia: Apontar o cisco no olho do irmão tendo uma trave no próprio (Mateus 7:3-5).

Julgamos para a condenação eterna: Não cabe a nós decretar quem vai para o céu ou para o inferno; isso é prerrogativa divina.

Julgamos sem provas: Baseado em fofocas ou aparências, sem buscar a verdade dos fatos.


   Isso é abominável. Isso é o que foi proibido.

   Por outro lado, Jesus foi explícito em João 7:24: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça". Isso não é uma sugestão, é uma ordem. A Reta Justiça é o discernimento moral baseado na verdade objetiva (as Escrituras), e não em opiniões pessoais.

   Se o mundo jaz no maligno (como a própria usuária admite ao citar o diabo), a única forma de "que um de nós não se perca" é exercendo o julgamento que identifica onde está o mal. O apóstolo Paulo diz em 1 Coríntios 2:15 que "o homem espiritual julga todas as coisas". A palavra grega anakrinei significa examinar, investigar, discernir.


Conclusão


   A narrativa do "não julgarás" cria uma sociedade anestesiada, onde o erro é tolerado em nome de uma falsa bondade. O verdadeiro amor não é aquele que diz "quem sou eu para falar algo", mas sim aquele que tem a coragem de exercer a reta justiça para resgatar o próximo do abismo. Oposto ao amor não é o julgamento, mas a indiferença. Quem ama, julga o perigo e alerta o amado. Portanto, julgar o pecado (o ato) é um dever de quem quer salvar o pecador; condenar a pessoa (juízo temerário) é que é a usurpação do lugar de Deus.


Nicolas Breno


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