A Máscara de Ísis e o Mito da Rainha do Céu: A Desconstrução Histórica, Patrística e Bíblica de "Nossa Senhora Aparecida"
A intensa mobilização religiosa que cerca o 12 de outubro no Brasil, marcada por novenas preparatórias, peregrinações massivas como o Círio de Nazaré, saudações papais, procissões e consagrações solenes, repousa sobre uma estrutura devocional totalmente alheia às Escrituras e à práxis dos nossos irmãos antigos. O historiador protestante Philip Schaff, em sua obra History of the Christian Church, atesta de forma categórica que o silêncio absoluto da história quanto a qualquer oração ou culto dirigido à Virgem até o final do século IV prova que essa prática era estranha ao espírito original do cristianismo. No mesmo sentido, o respeitado patrologista J. N. D. Kelly, em Doutrinas Centrais da Fé Cristã, confirma que as evidências de orações ou pedidos de proteção dirigidos a Maria são virtualmente inexistentes nos primeiros quatro séculos da era cristã. O texto do Novo Testamento não contém um único registro de apóstolos ou cristãos primitivos erguendo altares, queimando incenso, fazendo novenas ou realizando procissões em homenagem à mãe de Jesus.
A figura venerada no dia de hoje não deriva da piedosa jovem judia descrita nos Evangelhos, mas sim de um processo histórico de sincretismo religioso com o paganismo greco-romano e egípcio. Conforme demonstra o historiador Mourant Brock em sua obra Rome-Pagan and Papal, a chamada "Virgem Maria" com o Menino representa a continuidade do culto à deusa da natureza sob roupagem cristã, assimilando atributos da egípcia Ísis, da assíria Milita e da Ártemis/Diana dos efésios. Quando o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano, massas pagãs absorveram a figura de Maria para substituir a deusa-mãe Ísis: a "Rainha do Céu" egípcia, tradicionalmente representada amamentando seu filho. Contudo, a invocação e o culto à "Rainha do Céu" são severamente condenados no livro de Jeremias (7:18; 44:17-25) como uma abominação idólatra que atraiu o juízo divino sobre Judá, título demoníaco e usurpador cuja aplicação à mãe de Cristo é denunciada pelos teólogos Thomas Horn e Cris Putnam na obra Petrus Romanus.
A reação da Patrística pré-nicena e pós-nicena contra a introdução dessas inovações idólatras foi imediata e inflexível. O bispo Epifânio de Salamina (310–403 d.C.), em seu tratado Panarion / Haereses, combateu a seita das mulheres coliridianas que ofereciam bolos a Maria e a aclamavam como "Rainha do Céu", declarando expressamente que a Virgem não foi proposta para a adoração humana, que ninguém deve adorar a Maria e que tal desvio cumpria a profecia de apostasia e "doutrinas de demônios". Igualmente, o Padre da Igreja Orígenes, em sua obra Contra Celso (citado por Carlos H. Collette em As Inovações do Romanismo), refutou os pagãos que alegavam que suas imagens eram meros símbolos representativos, classificando como ignorância e escravidão a ideia de dirigir preces a objetos feitos por artesãos. Refletindo esse rigor aniconoclasta primitivo, o Concílio de Elvira (305 d.C.), no seu Cânon 36, ordenou explicitamente que não houvesse pinturas ou imagens nas igrejas, para impedir que o objeto de adoração fosse estampado em paredes.
A ritualística executada nas paróquias e santuários no dia 12 de outubro (que inclui a Consagração Solene, o ato de ajoelhar-se diante da imagem de gesso, beijá-la, acender-lhe velas e carregá-la em andores) constitui uma reprodução exata do culto pagão. A distinção teológica romanista entre "latria" (adoração) e "dulia/hiperdulia" (veneração) desmorona na prática, pois um devoto pagão realizava com sua estátua rigorosamente os mesmos atos físicos, orações, promessas e procissões que o católico realiza com a sua imagem. Mourant Brock e Carlos H. Collette registram que o hábito de consagrar imagens e acender luzes diante delas é uma herança pagã direta, denunciada originalmente no livro apócrifo de Baruque (capítulo 6). A Bíblia estabelece que mesmo quando uma imagem foi mandada fazer por instrução divina (como a serpente de bronze), no momento em que o povo passou a queimá-la incenso e prestar-lhe culto, o rei Ezequias a despedaçou chamando-a de Nehushtan (um mero pedaço de bronze), ato louvado pelo texto sagrado em 2 Reis 18:4.
O abismo entre a fé em Cristo e a devoção mariana moderna aprofunda-se quando se examina a literatura católica oficial aprovada pelo Magistério. Na obra As Glórias de Maria, escrita pelo doutor da Igreja Santo Afonso de Ligório, atribui-se a Maria o status de "onipotente", "salvadora" e "mediadora de todas as graças", asseverando-se a heresia de que muitas coisas são pedidas a Deus e não são alcançadas, mas pedidas a Maria são conseguidas. Da mesma forma, no Saltério da Bem-Aventurada Virgem Maria, São Boaventura parafraseia os Salmos bíblicos para ordenar que todos os seres humanos e anjos dobrem os joelhos e adorem o trono de Maria. Essa transferência dos atributos divinos a uma criatura morta viola frontalmente o mandamento de 1 Timóteo 2:5, que declara haver um só Deus e "um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus", e confronta o decreto soberano do Criador em Isaías 42:8: "Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura".
Nicolas Breno
.png)
Comentários
Postar um comentário